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Nosso pouco caso com o Depósito a Prazo

Os formatos e materiais dos tijolos mudaram com o passar do tempo, e hoje até podem ser substituídos por paredes pré-fabricadas, mas a finalidade em ambos os casos é servir de proteção vertical para imóveis. Contudo, o uso de paredes pré-fabricadas exige um projeto técnico moderno, fabricante e mão de obra especializados, materiais e equipamentos especiais para sua instalação, ótima logística de entrega e, o mais importante, mudança da crença tradicional da população e dos atuais pedreiros de que essa nova tecnologia é mais acessível, segura, barata, rápida e mais resistente do que o processo tradicional de assentar tijolos para se obter boas paredes. Como se vê, ambas são soluções para um mesmo problema, mas com especificações distintas e que podem ser úteis em um cenário e não em outro, além de exigirem novas habilidades dos envolvidos, as quais podem não ser obtidas sem uma gradual e profunda mudança na forma de pensar e agir desses profissionais e do mercado consumidor.

Histórico do Depósito a Prazo: analisando a história do Depósito a Prazo no cooperativismo de crédito vemos que ela tem algo a ver com a lógica descrita acima do tradicional tijolo e as modernas paredes pré-fabricadas. Há alguns anos tínhamos o Depósito a Prazo como a única forma das Singulares obterem substanciais fundings (dinheiro para emprestar), e o faziam de forma decisiva, pois precisavam rapidamente obter ganhos com sua carteira de crédito edificada com recursos próprios. Vimos também que a evolução do Capital Social e das Reservas é um processo comercialmente estressante e nem sempre cresce na velocidade das demandas creditícias de uma Singular. Já o Depósito à Vista, apesar de barato (nunca gratuito), é sazonal e anticíclico quanto a sua eficácia de gerar funding, pois quanto mais se precisa dele como funding, mais os clientes o consomem. Portanto, o Depósito à Vista exige um elevadíssimo amadurecimento comercial para que possa ser considerado tecnicamente uma coerente e substancial fonte de funding.

Nesse movimento onde a carteira de crédito com recursos próprios cresceu vertiginosamente na última década, permitindo a viabilidade de muitas Singulares, observa-se em algumas dessas instituições uma redução gradual na dependência do Depósito a Prazo como fonte de funding. Isso se explica em parte pelo crescimento significativo do Capital Social e das Reservas. Nesse interim, surge para algumas Singulares que tenham Bancos em seu conglomerado, a possibilidade de agir como um correspondente bancário captando Poupança para seu banco cooperativo, visando quase sempre obter o direito de ter valores de Repasse desse banco para atender a um grupo seleto de sócios.

Mas em qualquer desses cenários, verifica-se que o Depósito a Prazo foi e ainda é um grande aliado de nosso modelo de negócio e, por isso, precisamos atentar para que não ocorra o verificado nos bancos no início da década de 1990, quando diante de um enorme excesso de liquidez oriundo de seus Depósitos a Prazo (CDB), passaram a ter campanhas enérgicas para migrar esses recursos para seus Fundos de Investimentos, os quais atendiam “bem” seus clientes, davam um interessante retorno mas não geravam funding, dispensando-os dos tradicionais “compulsórios” para reservas de contenção para saques, entre outras vantagens operacionais e fiscais. Ocorreu que seus clientes gradualmente aprenderam a aplicar em Fundos de Investimentos, zerando suas posições em Depósito a Prazo, o que tornou quase impossível para esses bancos convencer esses tradicionais doadores de recursos a voltarem a aplicar em seu Depósito a Prazo quando esse fosse de interesse do banco para alavancar de forma segura, barata e longa sua carteira de crédito com recursos próprios.

Fundo de Investimento: a nosso ver, por sorte, ainda estamos engatinhando quanto à oferta de Fundo de Investimento em nosso modelo de negócio. Eventualmente seria até importante termos ele em perfis conservadores em nossa prateleira, unicamente para atender a um ou outro investidor distinto, mas não para ser um substituto do n